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Iniciativa promoveu aprendizado
prático, sensibilização e construção de estratégias para o desenvolvimento
local sustentável entre os dias 9 e 10 de fevereiro
Denyse Quintas
Da Ilha de Combu/PA
A Ilha do Combu, em Belém (PA),
está sendo palco da Visita Técnica Rota Combu, uma imersão em Turismo de Base
Comunitária (TBC) voltada à sensibilização e capacitação de lideranças e
empreendedores das comunidades do Curiaú e de Itaubal, no Amapá. A ação que
acontece nos dias 9 e 10 de fevereiro, tem como foco o aprendizado por meio da
observação direta de práticas já consolidadas, promoção da troca de
experiências entre territórios amazônicos.
Segundo a gestora de Turismo do
Sebrae, Rejane Reis, o grupo de empreendedores recebe um trabalho de
desenvolvimento de roteiro turístico.
“Estamos conhecendo essa
experiência, que é uma experiência que já está no mercado, um produto
consolidado, e buscamos inspirações e possam estar organizando as informações
e, no retorno, formatar as nossas experiências. Temos atrativos, o que falta é
a organização, a sistematização, a formatação desses produtos para que possamos
colocar na vitrine e nossos turistas estarem buscando experiências consolidadas
em Macapá. Então, é um momento de muita inspiração, busca de conhecimento, é
uma comunidade com as mesmas características similares do Amapá. Então são
atrativos, que existem aqui consolidados, formatados, que os nossos
empreendedores poderão estar aqui captando essas ideias e no retorno estarem
aplicando. Então a ancestralidade, a cultura, a gastronomia, diversos produtos,
diversas experiências que estão sendo comercializadas e que poderão ser
desenvolvidas. São iniciativas que geram negócios, renda para a localidade,
para o território, onde estamos trabalhando”, disse Rejane Reis.
A programação foi estruturada
para proporcionar aprendizado prático, estimular reflexões sobre turismo
sustentável e comunitário e inspirar iniciativas locais que possam ser
adaptadas e implantadas nas comunidades participantes.
Para o guia de turismo, Mário
Carvalho, acompanha os empreendedores do Sebrae Amapá, que vieram conhecer a
Rota Combu. “Estamos aqui no Igara, Artesanal e Turismo, que é um dos destinos
que fazem experiências ligados à cadeia do açaí e também ao banho de cheiro.
Estamos conhecendo um pouquinho do modo de vida da Família Charles, os
conhecimentos que ele tem com relação à floresta, como ele desenvolve as
atividades de extrativismo e como ele está fazendo essa transição para
trabalhar o turismo de experiência aqui na Ilha do Combu. Eles são integrantes
da Rota Combu, fazem parte desse conjunto de experiências que a gente oferece
ao turista e que hoje os empreendedores estão fazendo essa visitação técnica
para conhecer e se inspirar para fazer um trabalho semelhante ou até melhor no
estado do Amapá”, destacou Mário Carvalho.
Durante toda a visita, os
participantes utilizaram um Diário de Viagem como instrumento de observação,
registrando boas práticas e ações passíveis de replicação em seus territórios.
Curiaú
A advogada e presidente da
Comissão de Promoção da Igualdade Racial, Jozyneide Araújo, está na visita
técnica como liderança da comunidade do Curiaú e também como futura
empreendedora.
“É um sonho que a gente tem, o
Sebrae entra com força dentro da comunidade nos oportunizando estar aqui na
Ilha do Combu, no Pará. “O Sebrae realmente é uma instituição que está nos
proporcionando o sonho, realmente de realizar aquilo que a gente sonha, que a
gente planeja. Isso de forma muito planejada, de forma organizada, então é uma
instituição muito forte que nos traz muitas esperanças nesse momento”, declarou
Jozineide Araújo.
A experiência na Rota Combu foi
guiada por cinco eixos estratégicos, que orientaram a análise crítica e o
aprofundamento dos aprendizados.
O primeiro eixo, Gestão e
Governança Comunitária, destacou como a comunidade local planeja, monitora e
decide coletivamente sobre o turismo, por meio de associações, conselhos e
assembleias.
No eixo de Formação e
Qualificação Profissional, os participantes observaram como os processos de
capacitação fortalecem a comunidade para lidar com normas sanitárias, segurança
na navegação e gestão de pequenos negócios, transformando o conhecimento tradicional
em diferencial competitivo.
A Hospitalidade e Experiência do
Visitante foi analisada a partir do uso das narrativas da floresta, dos saberes
locais e dos ciclos naturais como elementos centrais para conectar o visitante
ao território.
Já o eixo da Sustentabilidade
trouxe reflexões sobre soluções de baixo impacto para manejo de resíduos e
efluentes em áreas de várzea, além da promoção da equidade, inclusão de jovens,
fortalecimento da identidade ribeirinha e práticas regenerativas que vão além
da conservação ambiental.
Por fim, a Comercialização e
Parcerias Estratégicas permitiu compreender como os empreendedores locais
estruturam seus canais de venda, utilizam ferramentas digitais e constroem
parcerias que fortalecem a Rota Combu como um produto turístico diferenciado.
Vivências, cultura e governança
A programação incluiu visitas a
iniciativas emblemáticas da ilha, como a Trilha do Açaí, com demonstração do
manejo tradicional e do processamento do fruto; a Associação de Mulheres
Extrativistas, com a produção de óleo de andiroba; o ateliê de biojoias do
Combu; e a Casa do Chocolate, onde a marca Filha do Combu, de Dona Nena,
apresentou seu chocolate orgânico premiado nacionalmente.
Momentos de roda de conversa,
almoços comunitários e atividades culturais, como o jantar paraense na Casa
Kayré, reforçaram o papel da cultura ribeirinha, da gastronomia amazônica e da
arte como pilares da experiência turística. A governança da Rota Combu também
foi debatida em encontros específicos sobre organização comunitária e gestão
coletiva do turismo.
Construção
O encerramento da visita técnica
foi marcado por um encontro de compartilhamento de aprendizados e elaboração de
um Plano de com base nos registros da visita. O objetivo foi definir
estratégias concretas para a implementação de iniciativas de turismo de base
comunitária no Curiaú e em Itaubal, respeitando as especificidades de cada
território.
A Visita Técnica Rota Combu
reafirmou a importância do diálogo entre comunidades amazônicas, da valorização
dos saberes tradicionais e da construção coletiva de um turismo que gera renda,
fortalece identidades e contribui para a preservação e regeneração da floresta,
transformando visitantes em aliados da conservação e do desenvolvimento local
sustentável.
Serviço
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Comunicação: (96) 3312-2832
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